sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O RIO DE PAZ E A HOMENAGEM AOS POLICIAIS MILITARES MORTOS EM SERVIÇO


Nada tem mais me ajudado a vencer preconceitos e aprender a amar pessoas do que o envolvimento diário com a luta contra a violência na cidade do Rio de Janeiro. No ano passado conheci os dramas dos membros de comunidades pobres - homens e mulheres trabalhadores (muitas vezes injustamente rotulados de fábrica de criminosos) que encontram-se a mercê do crime organizado, privados dos seus direitos inalienáveis de ir e vir, livre expressão e vida, conforme tão bem revelou a série de reportagem do jornal O Globo intitulada: Democracia Roubada. Fiquei amigo de gente que passou pela triste experiência de perder parente para o crime, mas que tomou a decisão de se envolver na luta contra a violência a fim de não ver a tragédia se repetir na vida de outras famílias. Tenho conhecido jornalistas sensíveis, membros da sociedade civil solidários e pessoas do meio acadêmico com excelentes percepções sobre o mal que nos cerca. Bom, nessa madrugada a minha experiência foi com dois coronéis da PM. Conheci homens bons e desejosos de ver seus companheiros de profissão vivendo com dignidade.

Ao longo dessa semana fui procurado por oficiais da Polícia Militar que expressaram o desejo de contar com a ajuda do Rio de Paz para um ato público em homenagem aos 586 policiais mortos em serviço nos últimos quatro anos. Seu objetivo era prestar esse tributo nos moldes das ações do nosso movimento. Por que aceitei o convite para cooperar, cedendo as cruzes e mobilizando nossos voluntários?

Em primeiro lugar, porque o amor não pode ser seletivo. Eu não posso ter compaixão pelos parentes do turista italiano que foi atropelado e morto durante uma tentativa de assalto, pela família da menina pobre morta por bala perdida perante o seu avô, pela mãe que presenciou o filho morrer ao ser arrastado por um automóvel, se não sou capaz de incluir nessa lista os policiais mortos no nosso estado, bem como os seus parentes enlutados. Por que razão não devemos lamentar essas 586 vidas ceifadas de modo cruel e sentir a dor dos que ficaram para trás com o coração sangrando? O fato de serem policiais os transforma em andróides ou estátuas de mármore? Confesso, que não agüento mais ver gente morrendo. Sem farda ou com farda.

Em segundo lugar, porque é uma demanda da justiça dar a cada ser humano o que lhe é devido. Ora, o valor social dos policiais militares e os riscos aos quais estão expostos exigem que estes recebam um soldo significativamente superior ao que têm recebido. Não podemos exigir que um policial exponha sua vida à morte para preservar a paz e a segurança da população se não estamos dispostos ao mesmo tempo a lhe oferecer um salário proporcional ao valor de tarefa tão desgastante e indispensável para a vida em sociedade.

Em terceiro lugar, porque “para que o mal triunfe, é necessário apenas que os homens de bem permaneçam inativos”. A sociedade civil não pode mais desempenhar o papel de expectador passivo. Há um impasse entre alguns oficiais da Polícia Militar e o governo do estado. O ponto central da controvérsia é que isso não é problema deles apenas, mas assunto do interesse do povo. Uma saída pacífica para esse impasse beneficiará acima de tudo a população. Anelamos por ver ambos os lados bem, pois no seu êxito está nossa paz. Queremos, portanto, um governador vitorioso na luta contra a violência e uma polícia que esteja em condição de cumprir a sua função na sociedade para que vitória tão esperada seja alcançada.

Em quarto lugar, grandes crises podem se transformar em grandes oportunidades de transformação. Problemas podem ser bênçãos disfarçadas. Prefiro mil vezes viver assim a administrar a vida vendo sempre o lado ruim das coisas, desprovido da capacidade de separar tragédia de problema. Vejo algo de bom nessa polêmica. A situação da nossa polícia está em discussão. Podemos muito bem usar esse momento para vermos surgir a polícia que sonhamos. Uma polícia mundialmente conhecida pelos crimes que preveniu, situações de conflito que apaziguou e simpatia acompanhada de confiança por parte de toda a sociedade que conquistou. Que todos tragam à memória novamente o seguinte fato: a luta pela queda na taxa de letalidade do nosso estado passa por um investimento maciço na polícia. Segurança não tem preço.

As cruzes estavam guardadas por nós desde o histórico protesto em Copacabana no início do ano passado. Foi o maior marco do nosso movimento em termos de ato público. Notícia no Brasil e no mundo. Nossa intenção era nunca mais usá-las na praia. Mas surgiu esse pedido. Era impossível dizer não. O pedido tinha relação com a nossa causa: a vitória da vida sobre a morte e uma polícia em condição de trabalhar bem. Voltamos a fincá-las nas areias da praia de Copacabana contando com a ajuda de dois coronéis e uma policial que trabalharam apaixonada e incansavelmente uma madrugada inteira. Nós o fizemos na firme esperança de que nunca mais haveremos de fazê-lo de novo, pois cremos que os dias de barbárie, arbitrariedade, indiferença e morte vão passar. Nossa geração vai vencer a batalha contra o crime. Participando e sonhando. Não me venha dizer que não há saída. Nações no passado enfrentaram problemas mais graves do que os nossos e os venceram. Se outros povos conseguiram trazer os números da violência para índices razoáveis, nós também podemos conseguir. Povo e governo. Polícia e população. Juntos, para que o Rio seja não apenas maravilhoso na sua geografia, mas acima de tudo nas suas relações humanas.

Antônio Carlos Costa
Presidente do Rio de Paz

2 comentários:

  1. Antonio
    a mensagem do culto de hoje na igreja que minha filha aqui na Florida foi tremendo,
    lembrei muito de voce e da causa do Rio de Paz...

    A luta em Orlando da Igreja de Cristo é contra o aborto - desde 1973 quando a lei do aborto foi aprovada até hoje foram 50 milhões de babys assassinados na terra. Oceanos de sangue correm nesta nação.
    Há 35 anos que a voz de sangue inocente clama a Deus

    Entre no site e ouça esta pregação do pastor LOUIS ela denuncia o crime que ocorre nos EUA e convoca os cristãos de hoje na America a ser a voz dos que não tem voz.

    Conclama as igrejas para esta campanha de conscientização contra a morte de inocentes.

    É uma mensagem profética...tal qual a sua de JONAS...que fez o meu coração tremer com a presença de Deus.

    Ouça com muita atenção o que o Espírito Santo está dizendo as Igrejas...

    www.thecall.com/

    A pregação de hoje, não é a que está no site - foi sobre o salmo 139, também tremenda...
    pedindo " A GREAT REVIVAL OF JUSTICE over THE NATION IN 2008,THE ONLY THING THAT WILL DETOUR GOD´S JUDGEMENT" - pastor amado você não está só na sua luta contra a morte de gente inocente no planeta - With all muy heart I cry out for mercy -
    in Christ,
    Anne Kathryn de Orlando, Florida
    Domingo, 3 DE fevereiro de 2008.

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  2. um policial também é povo, muitos ousam roupas de operários, jalecos, etc, a farda é uma identificação do trabalho do policial, ele também tem família e sonhos para o futuro, quantos devem estar lá completamente constrangidos pela forma como são comandados pelos governos, se perdermos a visão disso, endemonizando gratuitamente estes trabalhadores, estaremos mergulhados num ilusório discurso demagógico e isso nos fará perder o trem da história.

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