terça-feira, 27 de novembro de 2007

IPANEMA E COPACABANA: PROFECIA PROFANA (FORA DO TEMPLO)

Continuamos profetizando nas ruas (praias). A exemplo de Jonas, julgamos que não dá para ser valente dentro do templo, enviando mensagens para o destinatário errado. Mas, com ousadia continuar bradando nas ruas: "Não matarás".

A experiência em Ipanema entrou para sempre na história da nossa vida. Não tenho tempo hoje para relatá-la. É aquele tipo de coisa sobra a qual um dia a gente se lembra e chora de gratidão a Deus - por Ele haver nos separado, na nossa maluquice, esquisitice e pecado, para sermos porta-vozes da sua mensagem eterna.

Ontem, em Copacabana, trouxemos o debate para a praia, em plena luz do dia. Convidamos um especialista em segurança pública da UERJ, o professor e pesquisador Ignacio Cano, para discutirmos sobre a taxa de letalidade do nosso Estado. Debate riquíssimo. Ficou claro que não precisamos separar defesa dos direitos humanos de repressão. Queremos um Rio desarmado e seguro, com marginais presos, mas com todo o processo transcorrendo em obediência às leis do país e respeito à santidade da vida humana.

Pela manhã estive num encontro do Conselho Comunitário de Segurança. Triste constatação: estes conselhos (excelente idéia) lutam com a enorme dificuldade de proporem políticas públicas para as áreas onde a criminalidade é alta, mas num contexto de intimidação e violência. Com que liberdade estas pessoas vão procurar os orgãos públicos para apresentarem suas demandas, enquanto uma arma está apontada para suas cabeças?

Continuo pensando na mobilização das igrejas evangélicas. Por que estamos em silêncio? Por que somos valentes apenas no púlpito? Por que não estamos na vanguarda desta luta pela defesa da vida? Por que assistimos esta tragédia com os olhos secos e os braços cruzados? Que Bíblia estamos lendo? Que igrejas, hoje, podem ser consideradas como comunidades que têm no seu rol de membros cidadãos do reino dos céus? Por que a sociedade não cristã está tão parecida com aqueles que dizem ser habitação de Deus?

Que dificuldade de divisar a presença de nascidos de novo em algumas das nas nossas igrejas. Penso que chegamos ao ponto de ter que dizer: cuidado com igreja. Cuidado com a subcultura obscurantista, alienadora, que transforma a fé mais libertadora em narcótico religioso. Religião mata. O inferno pode transformá-lo de um tarado em um casto e respeitável fariseu. Uma coisa fria, alienada, escravisada por um cultura religiosa que emburrece - que não nos dá o reino de Deus e ainda nos priva do intercurso legítimo com o mundo.

Amo a igreja. Devo tudo a ela. Sou protestante. Amo Lutero ("minha consciência é cativa da Palavra de Deus". "Se vocês não me convencerem pela razão e pelas Escrituras de que estou errado, eu não me retratarei". "Se a correção da injustiça praticada contra você representar a pratica de uma injustiça ainda maior, mande para o inferno o seu senso de justiça".). Não consigo me imaginar longe da igreja. Nunca aconselharia cristianismo sem igreja. Ora, Aquele que é santíssimo, nos dias da sua carne andou noite e dia com a igreja - seus discípulos, apesar de todas as doenças destes. Crise que nos impulsiona para fora da igreja, que nos faz sentir melhor do que os demais, que nos leva a crer que não cabemos na igreja, que nos conduz a levar pessoas a se afastarem da comunhão cristã, pode ter certeza, procede das trevas.

Contudo, temos que falar. E eu afirmo: a nossa falta de mobilização no combate contra o desrespeito aos direitos humanos no Brasil, afasta o Espírito Santo das nossas assembléias, torna- nos vistos como alienados pelos de fora, representa uma péssimo legado que deixamos para a próxima geração de crentes e nos faz entrar para a história como a primeira geração de protestantes, que passou por um país e deixou tudo intocável, tragicamente igual, como se os filhos da luz, com sua presença, não representassem o estabelecimento da possibilidade de o homem sem Cristo, passar a ver o que sem esta luz, é incapaz de enxergar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

CARTA DE AGRADECIMENTO DO CÔNSUL GERAL DA ITÁLIA

"Prezado Senhor Costa,

Agradeço em nome do povo italiano a participação e as ações de solidariedade do 'Rio de Paz' pela trágica morte de Giorgio Morassi. A mobilitação de seu movimento foi acompanhada também na Itália e demonstra concretamente o sentido de responsabilidade e a rejeição da violência por parte da sociedade civil brasileira. Não deixarei de informar também a família de Giorgio Morassi em relação ao Vosso ato e à carta que me foi enviada.

Sensibilizado,

Massimo Bellelli
Cônsul Geral da Itália"

COMENTÁRIO DA AMIGA MÔNICA REIS SOBRE O PROTESTO DO RIO DE PAZ EM IPANEMA



Os manifestantes seguram velas diante do "corpo" coberto por bandeiras do Brasil e da Itália, a nacionalidade do turista que foi atropelado e morto por um ônibus, após um assalto em Ipanema

A enviada especial deste blog à manifestação do movimento Rio de Paz em Ipanema (ontem à noite), a repórter-voluntária Mônica Reis, mandou um longo relato sobre o evento que ajudou um grupo de pessoas a refletir um pouco mais sobre o caos em que estamos vivendo.

Aqui segue o texto da Mônica, que é para mim hoje uma representante do "new journalism", o novo jornalismo como foi chamado na América, que nada mais é do que um olhar menos distante da suposta realidade e mais pleno de significados do que o nosso jornalismo dito civilizado em busca da eterna isenção:

"Cheguei a manifestação e encontrei o Antônio Carlos Costa, coordenador do Rio de Paz, sentado com algumas pessoas que o acompanhavam. As pessoas que passavam foram se aproximando e mais pessoas chegando e ficando. Foram chegando e ficando em respeitoso silêncio, sentadas em torno da representação do "corpo" de um rapaz morto.

O "corpo" representa o turista italiano morto ontem após ser assaltado no Rio. Mas, pasmem, não era apenas a representação do corpo. Havia ali, meu Deus, na nossa frente no asfalto, pedaços do corpo do rapaz, nada menos que quatro dentes da vítima deixados no meio-fio. A gente logo se perguntava por que a perícia não os recolheu antes. Então um policial civil se aproximou, disse que estava ali para fazer isso e os levou.

Todos estavam sentados conversando sobre o valor da vida, pensando juntos nesse jovem e em sua família, quando chegaram os carros de PM. Abruptamente, sem muita conversa, os policiais queriam nos retirar dali, diziam que era preciso liberar o trânsito. Então o Antônio vai conversar com os policiais. Armas em punho. As do Antônio são só duas: suas palavras e a certeza de que precisa fazer alguma coisa contra a barbárie que teima em se instalar em nossa cidade. Parece que foram foram eficientes as armas dele. Os policiais “nos permitiram” ficar.

Depois da chegada barulhenta dos carros de polícia, chegam duas ambulâncias do Corpo de Bombeiros. Estacionam, descem bombeiros com luvas, prontos para “buscar o corpo” que está no asfalto. Meus senhores, o corpo desse rapaz não está mais no asfalto. Está em nossa indignação, representada ali no asfalto por sacos de areia, simulando um corpo, coberto com as bandeiras do Brasil e da Itália. A noite vai chegando, escura, escura... Nosso futuro também será uma noite escura? Vamos acendendo velas. Somos essa chama e a luz de cada um, vai iluminando a escuridão que teima em nos rodear. Nosso silêncio se faz ouvir no meio do barulho. É mais alto que qualquer grito e vale por muitos discursos.

Percebo que sentados em silêncio somos todos iguais. Não há um líder que fala e um grupo que apenas ouve. Dizemos juntos: queremos caminhar em segurança pelas calçadas da cidade. Os apartamentos de Ipanema são de quem tem dinheiro para comprá-los, porém as calçadas em frente ao mar são de todos nós (ou deveriam ser). Essas calçadas são de pobres, de ricos, de pessoas da Baixada Fluminense, são de nordestinos e de estrangeiros. Por que a “calçada é do povo”, inclusive dos turistas que vêm ao Rio e levam consigo nossa hospitalidade e a beleza de nossa cidade em suas retinas. Eles nos deixam os numerosos empregos gerados pelo setor do Turismo e o intercâmbio de experiências culturais. Não queremos que eles deixem aqui a própria vida, por causa da violência. Lutar por uma cidade segura também é garantir empregos.

Hoje (Dia da Consciência Negra, 20 de novembro) no Rio, mais um protesto. Ontem (dia 19 de novembro, Dia da Bandeira) no Rio mais uma pessoa morta por causa da insegurança. Não é apenas outro protesto, assim como, uma pessoa morta, nunca pode ser aceita como “apenas mais uma pessoa morta”. Não devemos aceitar que uma vida seja retirada pela falta de um direito básico: uma estrutura decente de segurança pública. Porém, se não conseguirmos ser uma cidade com segurança, podemos ser uma cidade solidária, de pessoas que não cruzam os braços e ignoram que mais uma vida se foi em nossas ruas manchadas de sangue, onde dentes são esquecidos no meio-fio.

Quantas vidas ainda serão retiradas por todo esse terror e para que algo mude? Quantas vítimas ainda serão imoladas para que o sacrifício desse sangue nos traga mais segurança?"

Por Mônica Reis, enviada especial do blog REPÓRTER DE CRIME.

Obs. Veja a repercussão na imprensa no blog A Bíblia e o Jornal (http://abibliaeojornal.blogspot.com). É só clicar no alto à direita.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

CONFLITOS DESNECESSÁRIOS

 


Faz dias que estou para postar esta foto. Ela foi tirada po mim num jogo do Botafogo no Engenhão. Observe a fila. Falta de organização e respeito ao ser humano. O que tudo isto acarreta? conflitos desnecessários, pois há uma tendência de as pessoas se exasperarem quando estão amontoadas desta forma. É isto o que pude testemunhar em vários jogos.

É por isto que precisamos ver o problema da violência urbana em termos de políticas públicas também. O Estado permite que seres humanos vivam em condições tais, que acabam fomentando o crime. Aplique isto às áreas pobres do Rio de Janeiro. Pense nos nossos presídios com problema de superlotação. Você suportaria viver em tais condições?
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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

PANE NA INTERNET


Que pena! Tive que sair do ar nestes últimos dias. Houve um problema com o nosso provedor de internet, seguido de alguma coisa que aconteceu no aparelho que distribui as linhas de computador aqui de casa.

Aproveitei para ler bastante (Lutero, Agostinho, Norbert Elias). Depois falo sobre minhas impressões sobre estas leituras. Muita coisa maravilhosa.

Domingo passado preguei lá na igreja, já me sentido melhor da crise de sinusite que me acometeu há 15 dias.

Ontem encerrei minha série de mensagem sobre a Carta aos Colossenses. Antes da exposição bíblica, tive uma ótima reunião com a Kelly, doutoranda em psicologia pela UFRJ. Ela vai assumir um dos projetos sociais do Rio de Paz, cujo objetivo será dar apoio aos parentes das vítimas de assassinato no Rio de Janeiro. Ela pretende desenvolver ao mesmo tempo, todo um trabalho de estatística sobre o problema da violência. Isto possibilitará ao nosso movimento apresentar relatórios sobre este tema, o que espero haverá de lançar mais luz sobre o drama social mais grave da história presente do Brasil.

Agora, vou sair para atualizar o blog A Bíblia e o Jornal. Quanta coisa interessante deixei de comentar por causa deste problema com a internet.

A foto acima, foi tirada por um amigo, em um destes últimos jogos do Botafogo no Engenhão. Quem veste o manto sagrado é o Matheus, meu filho mais novo.

Bom feriado a todos!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

QUANDO PERDEMOS O TEMPO

Tem dia que acontece aquilo para o que não vemos proveito algum. Perda de tempo. Gasto inútil de dinheiro. Energia perdida. O que fazer?

Se você pode dizer que não falhou no planejamento, fez o que estava ao seu alcance para que a coisa fosse bem sucedida, e, mesmo assim, nada deu certo, descanse na providência divina. O justo viverá pela fé. Não apenas será salvo pela graça mediante a fé, mas esta mesma fé que o ajudou a receber a salvação, de igual modo, o ajudará a encontrar propósito na chamada "vida debaixo do sol". O desafio é viver numa confiança implícita na bondade de Deus.

O NOVO BLOG

Não deixe de visitar o blog A Bíblia e o Jornal (http://abibliaeojornal.blogspot.com). Ali, você terá acesso ao ponto de vista teológico sobre os principais assuntos do nosso noticiário semanal. Um boa oportunidade de aprender teologia e relacioná-la aos fatos da vida.

CIDADANIA NO BRASIL

Mais uma vez, gostaria de recomendar este livro, do escritor José Murilo de Carvalho. Imprescindível para todo aquele que quer ajudar este país a sair do buraco, e isto a partir da compreensão da história dos direitos civis, políticos e sociais do povo brasileiro.

LUTERO

Estou lendo as obras completas do grande reformador alemão. Que delícia. É se lambuzar na graça de Deus. Que Deus bom é o Deus de Lutero!

Vai aí uma frase extraída do livro: "Não nos tornamos justos por realizarmos coisas justas; é tendo sido feitos justos que realizamos coisas justas".

terça-feira, 6 de novembro de 2007

UM BLOG CRISTÃO DE NOTÍCIAS - http://abibliaeojornal.blogspot.com

Na ocasião em que me converti ao cristianismo (outubro,1982), meu desejo era o de entrar para o jornalismo. Naquela época, havia uma grande influência sobre a minha vida, por parte do meu tio João Alves, jornalista do Jornal do Brasil, que costumava me levar na redação do jornal, nas belíssimas instalações da Avenida Brasil.

Veio a conversão, e, com ela, a descoberta de um mundo novo. O que resultou num completo fascínio pelo cristianismo, acompanhado de uma compulsão para pregar. Para mim, ficara tão evidente que o real problema do homem é o distanciamento do seu Criador - que sem Deus o homem está perdido metafisicamente, pois não há nada no universo que lhe ofereça sentido para viver, que decidi consagrar minha vida à pregação do evangelho. Daí, entrei no seminário e passei a me dedicar a proclamação da fé cristã. O que faço ininterruptamente há 25 anos com prazer crescente e profundo senso de privilégio.

Com este blog, procuro satisfazer estes dos prazeres: estar em contato com as notícias do Brasil e do mundo e ensinar teologia, ou, revelar a relevância da rainha das ciências (o saber mais sublime é o que trata do tema mais importante) para este início de século XXI, através das respostas do cristianismo bíblico às questões levantadas pelo noticiário.

É isto o que pretendo realizar: fazer uma análise das notícias dos principais jornais do mundo (El Pais, Le Figaro, The New York Times, The Washington Post, O Globo, Folha) a partir de uma perspectiva bíblica. Com isto, espero que possamos fazer uma leitura dos acontecimentos mais importantes à luz das Escrituras do Antigo e do Novo Testamento, e, ao mesmo tempo, aprendermos teologia.

Antônio Carlos Costa

Obs. O que muda a partir de agora? Este blog que você tem acompanhado, continua tendo um cunho mais pessoal, e, portanto, espontâneo e aberto. Penso que aqui posso me sentir livre para falar sobre aquilo que, a partir das minhas experiências de vida, pode edificar meus irmãos na fé. Espero em Deus, sempre visando a edificação no lugar da exaltação pessoal.

Veja e divulgue o novo blog. Creio que ele pode ser um instrumento evangelístico e socorrer a igreja, a fim de que possa ajudar, quem sabe, à comunidade cristã a discernir os tempos.

O endereço é: htpp://abibliaeojornal.blogspot.com

Estou lhe aguardando!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Estou saindo para Copacabana...

Daqui a pouco teremos mais um "1 Hora pela Vida" na praia de Copacabana. Estaremos reunidos lá, pela graça de Deus, entre 20h e 21h, com nossas velas acesas, apesar do dilúvio que está caindo na cidade. Nada que um bom guarda-chuva não ajude a resolver. Além do mais, isto não é ir para uma arena romana para morrer por amor a fé.

Isto é o que chamo de ato profético na acepção da palavra. Não é fazer declarações tolas, do tipo "os céus vão se abrir sobre o Rio de Janeiro", "toda a maldição desta cidade está sendo quebrada", isto tudo é bricadeira de criança: Modo sutil de apaziguar uma consciência culpada pela sua covardia.

Coisas acontecem e o inferno treme quando a igreja de joelhos oferece a garganta a Deus para que Sua verdade seja proclamada mediante a profecia que denuncia o mal. O término do regime da escravidão na Inglaterra não se deveu a "atos proféticos", mas a oração acompanhada de ação no parlamento inglês através de um crente metodista de nome William Wilberforce.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O CORAÇÃO E O BRAÇO DA SOCIEDADE CIVIL

Acabei de receber por e-mail, um documento que conta com a adesão de várias pessoas e instituições conhecidas, convidando-me a apoiar um manifesto contra o que chamam de “política de extermínio” do atual governo do Estado do Rio de Janeiro. Fiquei feliz com esta mobilização por pelo menos três motivos.

Em primeiro lugar, é uma nota de esperança observar pessoas tão conhecidas, talentosas e dos mais diferentes setores da sociedade preocupadas com a violência no Rio de Janeiro. O nosso silêncio em face da barbárie é tão revelador da nossa patologia social quanto os crimes praticados.

Em segundo lugar, a preocupação com uma política de segurança que respeite as leis do estado democrático de direito, revela o amadurecimento de uma sociedade capaz de compreender que, o caminho da lei e da democracia é mais lento e trabalhoso, mas seus ganhos são mais profundos e duradouros. Os que não têm conhecimento da saga humana na busca de relações sociais justas, somente estes, são capazes de anuir à busca de solução para problemas sociais ao arrepio da lei.

Em terceiro lugar, o entendimento de que não se resolve o problema da violência com bala, mas com política pública que respeite a santidade da vida humana, especialmente a do pobre, trata-se de uma aspiração legítima de uma sociedade capaz de compreender que, é melhor prevenir o crime do que puni-lo.

Sendo assim, ao ver tanta gente boa junta ao lado de instituições respeitáveis, com preocupações tão justas, pensei que poderíamos estar começando a virada de que este estado carece no campo da segurança pública. O elemento novo: o engajamento da sociedade civil. Contudo, sem o braço do poder público, pouco podemos fazer. É assim que ficou acordado neste chamado pacto social sob o qual estamos como povo. Precisamos de uma união da sociedade civil com os seus governantes, o coração e o braço, respectivamente, de uma nação organizada politicamente.

O governo do estado carece do apoio da sua população. Não proclamo uma participação acrítica. Mas, falo sobre a compreensão, apesar de as divergências que possam haver (eu mesmo tenho as minhas), de que os nossos atuais governantes estão administrando um problema grave e crônico. Assumiram a direção do nosso estado num contexto em que 19 pessoas haviam sido assassinadas em pontos diferentes da cidade (oito delas mortas carbonizadas) numa ação orquestrada por facções criminosas. Lembro-me da comoção social daqueles dias, que assumiu proporções mais amplas, por ocasião, um mês e meio após aos crimes supramencionados, da morte do menino João Hélio. A cidade clamava uníssona por ordem e paz. Fora isto, qual governante é capaz de enfrentar os interesses corporativistas sem o apoio da população? Precisamos criar um situação apta a fazer com que os anseios do povo sobrepujem os interesses egoístas de uns poucos que lucram com a desgraça. A praga da violência tem raízes culturais que para serem arrancadas exigem a mobilização de toda a sociedade.

Por estes e tantos outros motivos mais, venho propor o seguinte caminho, a fim de que associemos ao manifesto, o que pode representar benefício positivo para a população. Este acréscimo que representaria ganho concreto e amplo para os cidadãos cariocas, envolveria humanizar a ação da polícia, levar cidadania para comunidades pobres e buscar a segurança de uma população que encontra-se cativa da ação de marginais, cujas espécies de crimes que têm praticado sistematicamente na nossa cidade, não encontram justificativa na pobreza. Não há miséria que justifique arrancar a mama da moça e depois degolá-la, ou deixar um animal faminto durante dias, para depois este ter seu instinto de fome satisfeito no corpo de uma pobre vitima humana, ou retalhar o corpo de alguém para após agonia inimaginável do refém, matar.

É fundamental que procuremos o diálogo com o governo do estado. Carecemos de propor ao nosso governador a assunção de que o Rio de Janeiro é ingovernável no campo da segurança pública sem a presença e o investimento maciço do governo federal. Clamamos por policiamento ostensivo, por exemplo, mas não há efetivo, e o que há não recebe investimento à altura do seu valor social. O Rio de Janeiro precisa de ser desarmado já. Discussão que não passe por uma tentativa de salvar os quase 10000 cidadãos fluminenses que serão mortos ano que vem, não está à altura da principal e mais urgente necessidade social da nossa sociedade.

Chegou a hora de mostrarmos que nesta terra pessoas não se reúnem apenas para cantar e sambar, mas que temos aqui um povo que não perdeu a alma, amante da justiça, e que está se levantado como um só corpo para que no ano de 2008, a taxa de letalidade do nosso estado caia de modo espantoso. Este ano (10 meses) já foram 4500 mortos por assassinato, 45000 lesões corporais dolosas e mais de 3000 conterrâneos estão desaparecidos. Fora, os autos de resistência (pessoas mortas em confronto com a polícia). Que estes números não mais se repitam. E que a sociedade civil e o poder público encontrem solução que leve em consideração, tanto a desigualdade social que precisa ser mitigada, quanto a crueldade que precisa ser reprimida.

O CAMINHO DA LEI E DA DEMOCRACIA

Esta história de que ser a favor dos direitos humanos significa necessariamente ser a favor do criminoso, é um equívoco. No meu caso, posso dizer que sou da opinião de que não há miséria que justifique os crimes que estão acontecendo na nossa nação. Forno microondas (incinerar a vítima), tortura acompanhada de morte, estupro, deixar um animal faminto durante vários dias para em seguida devorar a vítima (estão fazendo isto em certas áreas do Rio de Janeiro, utilizando porco), ora isto não significa busca por condição digna de vida. Isto é maldade que precisa ser detida. Contudo, só quem não conhece história geral e a saga humana em busca de relações sociais justas, para aplaudir o combate ao crime ao arrepio da lei. O caminho da lei e da democracia é sempre mais difícil e lento, mas seus ganhos são mais profundos e duradouros.

QUEM CALA CONSENTE

É urgente a necessidade de a igreja passar a defender com mais clareza os direitos humanos no Brasil. Falar sobre políticas públicas é mais difícil para todos nós, mas denunciar o que está errado não exige especialização da parte de ninguém. Basta ver corpos ensangüentados estendidos na rua, presídios lotados, crianças fora da escola soltando pipa em plena luz do dia em cima de laje, hospitais públicos em decadência, disparidade social, para sabermos que algo está errado. Não acredito que só especialista têm o direito de falar. Os profetas bíblicos, em muitas ocasiões, são apresentados denunciando o erro sem apresentarem políticas públicas. Contudo, nada disso deveria nos desestimular à busca de informação.

A SUBIDA VERTIGINOSA DO BLOG

Fiquei muito feliz, ao checar ainda agora, o número de pessoas que visitaram o blog nos últimos dias. Houve uma subida significativa, cuja razão desconheço, com a exceção da graça de Deus, evidentemente. Digamos (falando em termos teológicos) que não sei quais as causas secundárias que a causa primária (a graça de Deus) está usando.

Espero que você sempre encontre neste espaço uma análise dos fatos à luz da verdade bíblica. Meu sonho, entre tantas outras coisas, é despertar a igreja de Cristo para sua missão integral.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O LIVRO DO JOSÉ MURILO DE CARVALHO

Gostaria de recomendar a leitura de Cidadania no Brasil de José Murilo de Carvalho. Ele vai ajudá-lo a conhecer a história dos direitos políticos, civis e sociais do povo brasileiro. Leitura indispensável para todo aquele que sonha com transformações no campo dos direitos do homem neste país, a partir de uma ação lúcida por parte da igreja.

Deixe-me falar sobre algo que está me ocorrendo agora. Muitos evangélicos não se envolvem com obras de mudanças estruturais a partir da ação política, do lobby do bem, do exercício de um ministério profético, por julgarem que o mundo não tem jeito. Dizem que só nos resta aguardar o fim. Mas na Primeira Epístola a Timóteo, no capítulo dois versículo dois o apóstolo Paulo diz: "... para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda a piedade e respeito". Ele está falando sobre o papel do Estado. A graça de Deus, mediante a ação e oração da igreja, pode tornar nossas cidades lugares que propiciem a prática de uma vida boa e justa. Ele não fala de paraíso, mas de algo que pode ser certamente melhor do que viver nas cidades grandes brasileiras.

VÍDEOS DO RIO DE PAZ

Se você puder, dê uma olhadinha nos vídeos do Rio de Paz que encontram-se na parte mais baixa da coluna da direita. Um deles, trata-se de uma edição que foi feita com base em imagens cedidas pela Rede Globo, sobre os protestos do Rio de Paz.

Com um pouco mais de paciência, assista o vídeo do Blade Runner (lembre-se que as imagens são sempre apresentadas no alto desta coluna), para que você possa entender o porquê de não me imaginar dedicando minha vida exclusivamente a assuntos sociais, negligenciando a pregação da palavra de Deus.